The Prague Post - Vacinação retrocede no Brasil, outrora exemplo mundial

EUR -
AED 4.025438
AFN 78.95839
ALL 99.102877
AMD 431.181992
ANG 1.961979
AOA 1003.890158
ARS 1184.765148
AUD 1.813586
AWG 1.97271
AZN 1.856256
BAM 1.955265
BBD 2.226591
BDT 133.983331
BGN 1.955265
BHD 0.415686
BIF 3277.602972
BMD 1.09595
BND 1.474297
BOB 7.619915
BRL 6.405394
BSD 1.102698
BTN 94.079252
BWP 15.358797
BYN 3.608812
BYR 21480.621092
BZD 2.215094
CAD 1.559263
CDF 3148.664282
CHF 0.944431
CLF 0.02729
CLP 1047.223391
CNY 7.980215
CNH 7.994938
COP 4582.94572
CRC 557.847326
CUC 1.09595
CUP 29.042676
CVE 110.23483
CZK 25.25683
DJF 196.376255
DKK 7.461443
DOP 69.64094
DZD 146.035033
EGP 55.788032
ERN 16.439251
ETB 145.347321
FJD 2.537011
FKP 0.848847
GBP 0.850992
GEL 3.013517
GGP 0.848847
GHS 17.092322
GIP 0.848847
GMD 78.35965
GNF 9543.388125
GTQ 8.510671
GYD 230.706859
HKD 8.520355
HNL 28.214278
HRK 7.531037
HTG 144.29051
HUF 405.950714
IDR 18351.683683
ILS 4.102536
IMP 0.848847
INR 93.736057
IQD 1444.604634
IRR 46139.49765
ISK 144.852118
JEP 0.848847
JMD 173.912403
JOD 0.776919
JPY 161.153959
KES 142.530992
KGS 95.094267
KHR 4414.791741
KMF 493.720804
KPW 986.355059
KRW 1599.54962
KWD 0.337323
KYD 0.918948
KZT 559.116978
LAK 23885.462925
LBP 98806.258284
LKR 326.960516
LRD 220.549639
LSL 21.028445
LTL 3.236056
LVL 0.662929
LYD 5.33354
MAD 10.502326
MDL 19.485667
MGA 5113.600488
MKD 61.518163
MMK 2300.773709
MNT 3844.693563
MOP 8.828084
MRU 43.977964
MUR 48.956393
MVR 16.875336
MWK 1912.176667
MXN 22.397607
MYR 4.862766
MZN 70.042408
NAD 21.028445
NGN 1679.894639
NIO 40.578894
NOK 11.801629
NPR 150.526803
NZD 1.958628
OMR 0.421635
PAB 1.102798
PEN 4.052091
PGK 4.551754
PHP 62.891089
PKR 309.568976
PLN 4.253336
PYG 8840.580472
QAR 4.0198
RON 4.97777
RSD 117.117947
RUB 92.974554
RWF 1589.165071
SAR 4.110175
SBD 9.114284
SCR 15.726868
SDG 658.111706
SEK 10.951061
SGD 1.474706
SHP 0.861245
SLE 24.932802
SLL 22981.52588
SOS 630.227517
SRD 40.162737
STD 22683.953439
SVC 9.649359
SYP 14249.363507
SZL 21.036243
THB 37.71384
TJS 12.003415
TMT 3.835825
TND 3.376876
TOP 2.566821
TRY 41.607529
TTD 7.469956
TWD 36.360884
TZS 2949.992633
UAH 45.388378
UGX 4030.896807
USD 1.09595
UYU 46.647233
UZS 14248.100519
VES 76.893516
VND 28280.991188
VUV 133.834699
WST 3.068196
XAF 655.777524
XAG 0.037037
XAU 0.000361
XCD 2.96186
XDR 0.815577
XOF 655.777524
XPF 119.331742
YER 269.220375
ZAR 20.960319
ZMK 9864.878247
ZMW 30.573632
ZWL 352.895471
Vacinação retrocede no Brasil, outrora exemplo mundial
Vacinação retrocede no Brasil, outrora exemplo mundial / foto: Carl DE SOUZA - AFP

Vacinação retrocede no Brasil, outrora exemplo mundial

O Brasil emergiu do terror da pandemia de covid-19 graças a uma bem-sucedida campanha de vacinação em massa. Mas dois anos depois se depara com um paradoxo: as taxas de imunização - e não apenas para a covid - despencaram, expondo milhões de pessoas a doenças que já haviam sido erradicadas.

Tamanho do texto:

Médicos, governantes e até o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), alertaram para o colapso das taxas de imunização no Brasil, onde a cobertura vacinal geral caiu de 95% em 2015 para 68% no ano passado, segundo dados oficiais.

Para a poliomielite, por exemplo, o número caiu de 85% para 68%, alertando para um possível ressurgimento da doença no país, que a erradicou em 1989. Os números são semelhantes para outras vacinas.

O sarampo, eliminado oficialmente do país em 2016, voltou dois anos depois. Também há temores de que a difteria esteja ressurgindo.

Especialistas dizem que a relutância em se vacinar é um problema crescente em todo o mundo, mas a situação é particularmente preocupante no Brasil, um país que até recentemente era aclamado como líder em vacinação.

Um movimento antivacina, que começou a se espalhar em 2016, ganhou uma nova dimensão ao contar com um aliado de peso: o ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022), que afirma não ter sido vacinado contra a covid-19 e até brincou que a vacina poderia transformar as pessoas em "jacarés".

"É muito triste observar um país que sempre teve excelência nos programas de vacinação e sempre foi um exemplo para o mundo de repente sofre um movimento antivacina", disse à AFP Natalia Pasternak, diretora do Instituto Questão de Ciência (IQC), um grupo de especialistas em políticas públicas.

A especialista lamentou "ver como 50 anos de trabalho podem ser tão facilmente destruídos em três".

- História de sucesso destruída -

A pandemia demonstrou a importância do sistema de saúde pública universal brasileiro, que, embora enfrente dificuldades, recebe muitos elogios.

Em 2020, foram registradas algumas das imagens mais duras da crise sanitária: valas comuns e corpos amontoados em caminhões refrigerados em lugares como Manaus, onde hospitais ficaram sem oxigênio.

No ano seguinte, surgiram imagens de esperança, como profissionais de saúde transformando o sambódromo do Rio de Janeiro em centro de imunização, ou embarcando na floresta amazônica para entregar vacinas aos povos indígenas.

Especialistas acreditam que a campanha ajudou a evitar uma tragédia muito maior no Brasil, onde mais de 700 mil pessoas já morreram de covid-19, número atrás apenas dos Estados Unidos.

Apesar de um certo atraso no início da campanha, amplamente atribuído a Bolsonaro, no início de 2022 o Brasil havia vacinado 93% dos adultos contra a covid-19.

Depois, as taxas caíram, não apenas para essas vacinas, mas para todo o resto.

- "Infodemia" -

Segundo especialistas, vários fatores causam esse declínio: dificuldade em ficar em dia com as vacinas atrasadas durante a pandemia, falta de acesso a atendimento médico e menor conscientização sobre os perigos de doenças que afetavam a população no passado.

Mas há um novo elemento que agrava o cenário: uma mistura tóxica de política, polarização e desinformação que estourou durante a pandemia e se espalhou pelo mundo.

No Brasil, apesar de Bolsonaro ter perdido a eleição de 2022 para Luiz Inácio Lula da Silva, o movimento antivacina não deixou de prosperar.

"As famílias estão sendo atacadas por desinformação e mentiras. Não é uma pessoa que postou uma besteira, uma fake news, é tudo muito estruturado", disse Isabella Ballalai, da Associação Brasileira de Imunizações.

"As consequências dessa 'infodemia' serão piores do que a própria pandemia de covid-19", alertou.

A ministra da Saúde, Nísia Trindade, afirmou que o governo está avaliando como punir os médicos que disseminam desinformação contra as vacinas.

"Fake news criminosas geram um ambiente de dúvida e contribuem para essa falta de adesão à vacinação", disse à AFP.

- Influências locais -

Em pesquisa recente, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e o IQC constataram que, segundo os médicos, o medo dos efeitos colaterais e a desconfiança das vacinas são os principais motivos pelos quais os pais não vacinam os filhos.

Pasternak, cuja organização trabalha para produzir informações confiáveis para combater a enxurrada de desinformação, propõe convencer a população ao trabalhar com "líderes locais".

"As pessoas ouvem aqueles em quem confiam: pastores, líderes da comunidade", disse.

Mas inverter a tendência não será fácil, admitiu. "Temos muito trabalho a fazer".

U.Pospisil--TPP